domingo, junho 12, 2016

Salvem os Elefantes!

O adestramento brutal de bebês de elefantes para prepará-los para o circo.

Trabalho de rotina no Centro de Conservação de Elefantes na Flórida, EUA: Um filhote de elefante é amarrado ao chão e cercado por guardas que o maltratam com cordas e varas. É inconcebível que estas cenas chocantes estejam ocorrendo em um local que se disfarça de "protetor de elefantes". O fato é que, por trás deste procedimento cruel, existe uma tradicional indústria de entretenimento.

Sam Haddock/Peta

O operador deste centro é o circo "American Ringling Brother Circus", que usa esta instalação para criação e adestramento de elefantes para espetáculos. Nas fotos, você pode ver como o animal é separado de sua mãe imediatamente após o nascimento e treinado para os shows.


Sam Haddock/Peta

 Como parte do treinamento, um instrumento cruel é utilizado, o que é conhecido como gancho de elefante ou ankus. Na ponta deste "cabo para adestrar animais", existem duas lâminas que são enfiadas diretamente na pele sensível deles. As imagens são uma triste prova da tortura física e mental infligida nos elefantes com este instrumento. Não é de se surpreender que este cajado tenha sido banido em vários estados dos EUA.


Sam Haddock/Peta

Você pode dizer o quanto o adestramento é doloroso pelo número de elefantes que não sobrevivem ao procedimento. Ricardo, um filhote de apenas 8 meses, teve que ser abatido quando caiu de uma plataforma durante o treinamento e quebrou duas patas. Alguns anos antes, um elefante de 3 anos se afogou quando fugiu para um local com água por medo do cajado do treinador.


Sam Haddock/Peta

Por conta destes incidentes serem tão conhecidos e destas imagens terem sido publicadas pelo ex domador de circo Sam Haddock, a empresa Ringling deu fim ao seu programa com elefantes. Os animais aposentados devem supostamente voltar para o seu lugar de martírio: O Centro de Conservação de Elefantes da Flórida. Se eles vão continuar a ser treinados lá não está claro. De acordo com a empresa, os animais também devem ser usados para pesquisa para a cura do câncer. De qualquer maneira, os elefantes ao redor do mundo ainda continuam a ser tratados desta forma cruel. Na Tailândia, eles tipicamente se referem ao adestramento destes animais como "esmagamento de elefantes". Isso porque a personalidade dos jovens animais é destruída com as surras, falta de sono e falta de alimentação.



Sam Haddock/Peta

Enquanto cenas terríveis como estas continuarem a acontecer, onde animais são usados para fins de entretenimento, todos estes programas devem ser boicotados. Existem organizações de bem estar animal e parques de vida selvagem que lutam para a libertação de elefantes de circo torturados, e vale muito a pena ajudá-los. Por exemplo: a Save Elephant Foundation ou o Elephant Nature Park.

As imagens mostradas acima, mesmo sendo chocantes, podem ser um primeiro passo para a melhoria de vida destes animais. Compartilhe este artigo para mostrar a todo mundo a realidade por trás dos espetáculos coloridos de circo.




Save the Elephants

Brutal handling of baby elephants to prepare them for the circus

Routine everyday work at the Center for Elephant Conservation in Florida, USA: An elephant calf is tied to the ground and is surrounded by guards who mistreat it with ropes and sticks. It is inconceivable that these shocking scenes are taking place under the guise of "elephant protection". The fact of the matter is that behind this cruel procedure lies a traditional entertainment industry.

The operator of the center is the American Ringling Brother Circus who uses this facility for breeding and dressage of his circus elephants. In the photos, you can see how the animals are separated immediately after birth from their mothers and trained for the circus shows.

As part of the training a cruel instrument is used, which is known as the goad or ankus. At the head of this “animal tamer rod”, there are two blades, which are drilled directly into the elephant’s sensitive skin. The images are sad proof of the mental and physical torture inflicted on the elephants with this instrument. It comes as no surprise that this rod has been banned in several US states.

You can tell how painful dressage really is by the number of elephants who do not survive the procedure. The 8-month-old calf, Ricardo, had to be put down after it fell from a platform during training and broke its two legs. A few years earlier, a 3-year-old elephant drowned after it had fled to closeby water out of fear of his tamer's dreaded rod.

It is because of these incidents being common knowledge and these images being published by former circus tamer, Sam Haddock, that the company, Ringling, has now terminated his elephant program. The retired elephants are supposedly just sent back to their place of martyrdom: the Center for Elephant Conservation in Florida. Whether or not they continue to be trained there is unclear. According to the company, the animals are also supposedly used for cancer research. Nevertheless, elephants all around the world still continue to be trained in this cruel way. In Thailand, they typically refer to the dressage process as elephant crushing. This is because the will of the young animals is broken through beatings, sleep deprivation and starvation.

As long as such terrible scenes continue to take place, in which animals are presented for entertainment purposes, all such programs should be boycotted. There are many animal welfare organizations and wildlife parks that fight for the liberation of tortured circus elephants, and it is worthwhile supporting them. For example, Save Elephant Foundation or the Elephant Nature Park. The above shown images, as shocking as they are, may just be a first step towards improvement. Share this article in order to show everyone what really happens behind the colorful scenes of the circus.

hefty

Sofreu anos em silêncio até que decidiu revelar toda a verdade dos circos com animais

A palavra circo traz à mente imagens de incríveis acrobatas, palhaços engraçados… e animais exóticos. Segundo é relatado neste vídeo, os circos que usam animais promovem uma falsa ideia de como tudo isso é seguro, divertido e saudável... mas está muito longe da realidade, pois para além do brilho e do glamour, os animais participam de um espetáculo degradante. Enquanto os humanos escolheram fazer parte do circo, os animais participam contra a própria vontade e são mantidos em cativeiro e forçados a fazer parte do show.

video

Fonte: tabonito.pt

segunda-feira, junho 06, 2016

Mundo secreto e cruel das corridas de galgos (com video)

VEJA O VÍDEO e leia ou releia a grande reportagem publicada na VISÃO de 19 de maio. Por detrás dos sprints, há um universo opaco de treinos com choques elétricos, dopagem e um desgaste brutal. À medida que o fenómeno cresce em Portugal, aumentam também as suspeitas de maus-tratos.

Para o empresário João Fernandes era um caso de vida ou de morte. Tinha adotado o Tomé através de uma rede de ativistas dos direitos dos animais, que haviam encontrado o galgo, abandonado e esquelético, na zona de Famalicão. É raro acontecer nestas situações, mas o galgueiro que se descartara do greyhound – a designação inglesa e original da raça – esqueceu-se de lhe tirar o microchip subcutâneo, colocado no pescoço. Foi assim fácil identificá-lo, para o contactar e pedir-lhe os documentos do cão, de maneira a que João Fernandes formalizasse a adoção. Aconteceu, porém, que o galgueiro exigiu o Tomé de volta. Seguiram-se meses de guerra. “Ele queria o cão para o matar”, acredita João Fernandes. Às tantas, o empresário viu-se obrigado a fazer uma ameaça: ou o galgueiro lhe enviava os documentos do Tomé ou João Fernandes apresentava uma queixa-crime por abandono. Resultou. Ao fim de cerca de cinco meses de resistência do galgueiro, o BI do greyhound lá apareceu na caixa de correio do adotante.

Na moradia de João Fernandes, com um espaçoso jardim, no Dafundo (Oeiras), é um muito sociável Tomé quem nos recebe, a pedir festas. Surpreende, por isso, o relato que o empresário nos faz, já dentro de casa, com o galgo deitado sobre um tapete, a descansar das correrias com o seu companheiro de brincadeiras, o rafeiro Rufus. “Quando me chegou, o Tomé gania a dormir, chorava como uma criança com pesadelos”, conta. “E isto durou seis meses. Depois, só queria estar no seu canto, fugia das pessoas. Demorou à vontade dez meses para se tornar no cão dócil e obediente que é hoje.” A estratégia para uma boa adoção de um galgo abandonado, ensina João Fernandes, 49 anos, “passa pelo mimo e por deixá-lo adaptar-se com calma ao espaço e aos novos donos”. Tomé foi importado da Irlanda pelo galgueiro de Famalicão e apresenta a pele raspada ao cimo das patas traseiras. É sinal, explica um veterinário, de que foi submetido a treinos numa nora horizontal e mecanizada, segmentada por chapas metálicas eletrificadas, e que rodava a velocidades excessivas. Pelo menos para ele, Tomé, que não acompanhava o ritmo e, por isso, apanhava os choques elétricos que lhe deixaram aquelas marcas.

O treino da nora é um segredo de polichinelo. Vários galgueiros assumem-no à VISÃO, e até especificam que a tendência atual é a de a segmentar com redes inflexíveis, colocando nos cães coleiras eletrificadas, com “pequenos” choques (e emissão de um som) infligidos por controlo remoto nos greyhounds que fiquem para trás. É que há o risco de esses retardatários partirem uma pata, caso fique presa num buraco da rede. Aí, são para “deitar fora”...



UM DIA NAS CORRIDAS
O cavaleiro tauromáquico João Moura, 56 anos, tido como o mais proeminente criador de galgos do País, era um homem feliz naquele domingo, 8 de maio, numa corrida realizada na sua terra, Monforte (distrito de Portalegre). Nesse dia, aposta-se, não estavam na sua mente os problemas que tem com o Fisco, e que se tornaram públicos.

João Moura alimenta uma paixão tal por estes cães que, em março de 2010, quando venceu o LXXII Campeonato Nacional de Espanha de Galgos, com a cadela Alheira, disse que essa vitória era “tão importante como, no campo tauromáquico, sair em ombros pela porta grande de Madrid”. Em Monforte, naquele domingo, a competição também lhe foi compensadora. Na final mais esperada, a dos galgos importados, conseguiu o 2.º e 3.º lugares, com os cães Bingo e Give me Five, respetivamente. Mais uma mão-cheia de pontos para chegar à finalíssima nacional, a disputar em setembro numa pista do Norte do País ainda por definir. O assunto é tão sério que nem sequer observámos João Moura e os sobrinhos Moura Caetano (também cavaleiro tauromáquico) e João Augusto Moura (cavaleiro e novilheiro), ambos igualmente com galgos em competição, trocarem palavra. “A rivalidade entre eles é muito grande”, esclareceram-nos. À VISÃO, apesar das várias tentativas de contacto, João Moura também não quis falar.

O clã Moura foi surpreendido, em Monforte, pelo galgo Catunda, importado da Irlanda, que pode muito bem ter atingido os 72 km/hora naqueles 250 metros de pista relvada em linha reta, com uma ligeira subida junto à meta. Quando um elemento da organização baixou uma bandeira vermelha e levantou outra verde, dando sinal para que a prova se iniciasse, com uma motosserra adaptada a puxar, do lado oposto da pista, o fio da lebre mecânica no encalço da qual os cães correm, o galgo saiu disparado como uma bala da sua box, cuja grade se abre mediante um mecanismo basculante, deixando sem hipóteses os seus três concorrentes. O Catunda, que ainda não fez dois anos, é de Horácio Vargues, cinquentão como João Moura, e empresário de Albufeira, onde detém vários bares e discotecas. Também dirigente da Associação dos Galgueiros do Sul, Horácio Vargues preocupa-se em contrapor às acusações dos ativistas dos direitos dos animais decisões concretas tomadas ou a tomar pela federação nacional dos donos de galgos. Na temporada de corridas de 2017 (de março a setembro), por exemplo, diz que todos os galgos que chegarem às finais das três componentes de cada prova (nacionais, cachorros – até aos 20 meses – e importados) serão submetidos a testes antidoping. É uma resposta às suspeitas de dopagem dos galgos com esteroides anabolizantes, cocaína, viagra, cafeína...

Na caça com galgos à lebre, acrescenta Horácio Vargues, é possível que a federação imponha o açaime nos cães, que pontuam consoante a prestação, mas não matam a presa. “Há cada vez menos lebres, temos de as proteger.”

OS MILHÕES QUE OS GALGOS DÃO
O presidente da Câmara de Monforte, Gonçalo Lagem, eleito pela CDU, toma as dores dos galgueiros. “Cada raça tem diferentes funcionalidades. Os galgos foram feitos para correr e os ataques de que os galgueiros são alvo estão descontextualizados. Ninguém gosta mais de animais do que quem os usa. Tem de imperar o bom senso.” Gonçalo Lagem considera que as corridas se inserem “no ambiente social e cultural” da região e “enchem os restaurantes e os estabelecimentos de hotelaria”.

A mesma argumentação é utilizada pelo seu colega presidente da Câmara alentejana de Cuba, João Português, igualmente eleito pela CDU, que em setembro passado inaugurou uma pista municipal para corridas de greyhounds, perseguindo o objetivo de tornar a vila na “capital portuguesa do galgo”. Mas é no Norte que está a maioria dos cerca de 600 galgueiros que se estima haver em Portugal, realizando-se aí duas a três corridas em cada fim de semana.

Um só galgo importado da Irlanda facilmente custa 5 mil euros. Com genes de campeão, pode chegar aos 30 mil. De Espanha começam a vir também muitos exemplares. E há quem os tenha às dezenas. Somando despesas com alimentação (€70 por uma saca de comida de 20 kg, por exemplo), tratadores, manutenção de equipamentos e deslocações para os locais das competições, conclui-se existirem galgueiros que gastam por mês largos milhares de euros com a sua paixão. Em Monforte, porém, o único dinheiro que se viu circular foram os €10 para a inscrição de filiados na Associação dos Galgueiros do Sul, e os €12,50 para os não sócios. Bárbara Moreira, uma galgueira nortenha, arriscou no seu blogue Vidas colocar à consideração da comunidade das corridas uma “possibilidade igualitária de um jogo de apostas”, que à partida seria ilegal, porque não está aprovado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em quem o Estado delegou a tutela nesta área. A galgueira não respondeu a um pedido da VISÃO para melhor esclarecimento da sua proposta.

No Reino Unido e na Irlanda, a indústria dos criadores de greyhounds vale €1,9 mil milhões por ano. Em 2014, por exemplo, as casas de apostas, em ambos os países, lucraram cerca de €300 milhões com as corridas de galgos. No entanto, os escândalos sucedem-se. Em julho de 2006, o Sunday Times noticiava que, ao longo de 15 anos, mais de dez mil greyhounds saudáveis, mas não desejados pelos galgueiros, tinham sido mortos a tiro e enterrados num jardim em Seaham, em Inglaterra. Uma investigação da BBC com câmara oculta, em 2014, para o programa Panorama, mostrou a relação entre a dopagem de galgos e as apostas. Já no início deste ano, em Espanha, o campeonato dos galgos esteve à beira de ser cancelado, depois de testes de ADN terem provado que dois dos cães em competição eram frutos de um roubo de esperma de um greyhound recordista.

No país vizinho, porém, o grande problema são os 150 mil galgos que todos os anos são abandonados ou mortos, diz Harry Eckman, dirigente da Change For Animals Foundation, com sede em Inglaterra mas que atua no mundo inteiro. Outra questão levantada por este ativista é a necessidade de fiscalizar a exportação/importação de greyhounds da Irlanda e do Reino Unido para Espanha e Portugal. “Há a suspeita de que a maioria destes cães são ilegalmente transportados, sem a documentação exigida.” Há dias, 24 greyhounds foram barrados no aeroporto de Manchester, quando se preparava o seu embarque num avião que os transportaria para Macau, precisamente por terem a documentação incorreta. Esta semana foi também lançada uma campanha global por ativistas irlandeses apelando à Lufthansa para recusar o transporte destes animais para Macau, onde todos os meses morrerão 30 cães nas pistas locais. Reuniu já 65 mil assinaturas.

CRIME OU ENTRETENIMENTO?
No Reino Unido e na Irlanda, os galgos correm até aos quatro/cinco anos de vida. Em Portugal, com pouco mais de dois anos já se encontram de tal forma desgastados que são aposentados. Eis um dos principais factos a que os ativistas dos direitos dos animais se agarram para zurzir os galgueiros nacionais. “A partir dos três/quatro meses começam a ser treinados todos os dias, e aos cinco meses passam para as noras circulares”, alega um desses ativistas. “Alguns ficam pelo caminho devido a fraturas ou fissuras ósseas, nas patas ou no fémur, ou a lesões musculares, e por norma são abatidos ou abandonados.”

Já o doping, assevera a mesma fonte, provoca a curto prazo “doenças renais, hepáticas, cardíacas, dermatológicas, odontológicas e, em 98% dos casos, patologias do foro psicológico”. E, atenção, a adoção destes animais é tarefa complexa. “Precisam de adotantes com disponibilidade de tempo, espaço e condições financeiras para poderem acompanhar o longo processo de adaptação e reabilitação que, com frequência, é superior a um ano”, avisa quem sabe.

Com a galga Pipa, encontrada abandonada no Alentejo, não houve exceção à regra. Chegou à família Pereira, dona de uma vasta propriedade em Camarate, em Lisboa, que a adotou, com uma fratura na pata traseira esquerda, lesão que não foi possível curar. Judite Pereira, 49 anos, e a filha, Susana, 27, sabem hoje com exatidão, só de observar o comportamento da Pipa, quando lhe devem dar o analgésico que lhe tirará as dores na pata afetada. Ou o mimo de que a galga precisa, para finalmente ficar descontraída perante estranhos. De resto, tem em seu redor 32 cães, das mais variadas raças, e 15 gatos com quem brincar! Mas um pormenor, contado por Judite Pereira, ficar-nos-á gravado: em contraponto aos galgos de corrida, açaimados para não se atacarem e morderem mutuamente, a Pipa encontrou o seu melhor amigo, naquela imensa quinta, no gato Luz. “Adoram-se”, relata Judite. “Até dormem juntos, aconchegados um ao outro, no sofá que lhes serve de cama.”

Para quem se pergunta porque não atuam as autoridades, o insuspeito deputado do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), André Silva, dá a resposta: “A nossa legislação é absolutamente omissa quanto a esta matéria.” Ou melhor, a lei que criminaliza os maus-tratos a animais exceciona as corridas de galgos, colocando-as no conceito de entretenimento. “Mais uma vez, um problema de fundo – a utilização de animais para divertimento dos humanos, sendo que os violentos métodos de treino representam graves maus-tratos”, diz o parlamentar. Segundo André Silva, “este é um dos exemplos que demonstra a relevância de se estender a lei a outros animais que não apenas os de companhia, conforme temos vindo a alertar”. O que o PAN quer, reforça, “é um quadro legislativo que tenha capacidade de regular e atuar sobre estas situações, muitas vezes envoltas num secretismo perversor”.

Pelo que lhe ouvimos, Maria Ramalho, 53 anos, assinaria por baixo. Num parque de Cascais, trouxe ao encontro da equipa da VISÃO não só as duas galgas que resgatou ao abandono e reeducou, as dóceis Xira e Nôa, como igualmente uma reprodução de uma das obras mais conhecidas do pintor Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Os Galgos, de 1911. Um gesto à altura da arqueóloga que é, na Direção-Geral do Património Cultural. Maria Ramalho lembra-se bem daquele dia em que viu no seu e-mail uma foto de uma galga em estado deplorável, abandonada no canil de Vila Franca de Xira e cuja adoção era pedida. Mas a arqueóloga acabou por fechar a caixa do correio eletrónico sem pensar mais no assunto. Uma hora depois reabriu-o, num impulso que ainda hoje não sabe explicar, fixou-se na imagem daquela cadela e correu para Vila Franca.

No regresso a Cascais, trazia consigo uma galga “triste, esquelética e com um cheiro nauseabundo”. Em sua casa deu-lhe banho, comida e tem a certeza de que a cadela “deitava lágrimas” enquanto se alimentava. “Será que os cães choram?”, interrogou-se, espantada. Maria Ramalho queria dar a galga para adoção e colocou o anúncio num site. A cadela passou a primeira noite numa arrecadação, sossegada numa cama que a arqueóloga lhe fez. Na manhã seguinte, já tinha desistido da ideia da adoção. Aquela galga era para si e, claro, batizou-a como Xira. “Era uma cadela completamente apavorada e só ao fim de um ano se tornou num cão normal.”

Há dois anos, a vida de Maria Ramalho voltou a cruzar-se com outra galga. Vagueava abandonada por Montemor-o-Novo, Alentejo. Grávida, acabou por abortar no canil local. Em novo impulso, a arqueóloga foi buscá-la, adotou-a e chamou-lhe Nôa. Hoje, Xira e Nôa vivem numa “guarda partilhada” entre Maria Ramalho e o seu ex-marido. Tranquilamente.

Mas o lado negro desta história persiste. A polémica vem de longe, e a obsessão também. Há mais de 25 anos, um criador de galgos dava nas vistas por, em fúria, disparar contra os cães que perdiam as corridas, matando-os em plena pista. Fê-lo vezes sem conta, com a conivência de muitos e a crítica à boca pequena de poucos.

Berço corrompido
No Reino Unido, berço das corridas de galgos no séc. XVIII, o cenário não podia ser mais disfuncional. “Por ano, são usados cerca de 20 mil cães nas corrida s, quatro mil dos quais desaparecem no fim de cada época”, diz Harry Eckman, dirigente da ONG inglesa Change For Animals Foundation. Existe um regulador da indústria, mas esse organismo “recusa-se a publicitar quaisquer elementos”, relata o ativista. E as disposições legais para o bem-estar dos greyhounds apenas se aplicam aos canódromos, deixando de fora os locais onde os galgos são reproduzidos, criados e treinados. Há, depois, a controvérsia das doações dos agentes de apostas em benefício do conforto dos cães. “É uma verba pequena”, diz Harry Eckman. “E como a indústria é corrupta, esse dinheiro, se for doado, não vai para onde é preciso.”

A crueldade dos treinos
Na Irlanda, os criadores de galgos resolveram adaptar os tapetes rolantes dos ginásios ao treino dos seus cães. O assunto tem suscitado polémica no país mas os criadores não parecem desistir: os greyhounds são amarrados à máquina e forçados a correr no tapete a altas velocidades. Apesar de o risco de contraírem lesões ser grande, a moda parece ter pegado e já chegou a alguns galgueiros portugueses, que persistem em usar também a nora circulante, que dá choques elétricos aos animais que correm mais devagar. Por vezes, os animais não aguentam e partem as patas. Aí, como dizem os galgueiros, são para 'deitar fora'.

Visão


Reportagem da VISÃO revela os polémicos bastidores das competições de greyhound

«Treinos com choques elétricos e um desgaste tremendo; abandono e desaparecimento de cães, após serem aposentados das corridas, com frequência por causa de lesões musculares e patas partidas, em resultado do esforço intenso a que são submetidos. Eis um fenómeno subterrâneo que cresce, à medida que aumentam em Portugal as Corridas de Galgos, de Norte a Sul do País. As denúncias de maus-tratos a estes animais (de dopagem, inclusive) também começam a surgir em catadupa. A VISÃO descreve ao pormenor este universo até agora desconhecido, incluindo as muito complicadas adoções de galgos que, depois de abandonados, têm a sorte de ser resgatados por ativistas de defesa dos direitos dos animais. Em regra, um ex-galgo de corridas demora um ano a tornar-se num cão normal junto dos novos donos. Os traumas que carrega são pesados.»
 


VEJA O VÍDEO de uma dessas corridas
O mundo obscuro das corridas de galgos
«PAN denúncia maus tratos a animais em corridas de galgos
De entre os vários maus tratos denunciados está a alegada administração de drogas estimulantes aos animais, como cocaína, cafeína, eritropoetina, anfetaminas, assim como anti-inflamatórios não esteróides ou corticoesteróides. O Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) avançou esta quinta-feira com uma denúncia de crime público ao Ministério Público, devido à suspeita de graves maus tratos a animais envolvidos nas corridas de cães galgos. 
Num comunicado enviado às redações, o partido salienta que esta é uma atividade de entretenimento humano que “representa um negócio altamente lucrativo que vive à custa da exploração da alta performance destes animais, pela exigência dos violentos treinos a que são sujeitos, com choques elétricos, administração de drogas estimulantes altamente prejudiciais para a sua saúde e um desgaste brutal”. 
Além dos maus tratos aos animais, o PAN suspeita também que em torno do negócio das corridas de cães galgos estejam associados outros crimes, como apostas ilegais, numa atividade que nem sequer está regulamentada, suspeita o partido. Neste sentido, e procurando saber mais sobre a atividade, o PAN fez saber que questionou esta quinta-feira o Ministro da Agricultura e do Mar. A intenção é saber, por exemplo, se já existiu alguma ação de fiscalização a estas corridas, e se sim quando, quantas e qual o resultado das ações, se tem conhecimento dos métodos de treino utilizados nesta atividade e se tem conhecimento da administração de drogas estimulantes como cocaína, cafeína, eritropoetina, anfetaminas, entre outros, bem como anti-inflamatórios não esteróides ou corticoesteróides.»

sábado, maio 21, 2016

Carta aberta a Miguel Sousa Tavares

Carta Aberta a Miguel Sousa Tavares
Exmo Senhor Dr. Miguel Sousa Tavares
Palavras suas: “(…) até ver, um homem não tem necessariamente de ser um burro. Mas alguns tentam (..)” ... e devo eu dizer que conseguem mesmo!
Aqui “o problema” não é “quando conseguem”, porque está provado que conseguem, sem desprimor para as dóceis criaturas, que valem mais do que muitos doutores.
Escreveu Vossa Excelência mais uma crónica que prova muitas coisas. Gostaria de poder dizer-lho pessoalmente, cara a cara, albarda contra capa, porque me apraz mais um bom burro do que um mau doutor. Portanto, antes de iniciar qualquer consideração deixo-lhe de imediato o repto: aceite um debate.
Pare de se esconder no comentário solitário, sem contraponto e apenas anuência de um pivot, pare de escrever solilóquios no conforto da sua cadeira, onde podemos dizer tudo o que nos passa pela fraca cabeça, certos que estamos de que o nosso “estatuto” pressupõe a publicação ad hoc. Faça-se um homem e aceite o confronto com pessoas que consideram o “estatuto” dos animais mais importante do que o seu “estatuto” de “comentador”.
Os problemas “fracturantes” que tanto o incomodam são problemas sociais importantes, claro que não com a “importância” da tourada e da caça, esses ex-libris da cultura humana, porque seria impensável colocar a questão da eutanásia ao seu nível. Diz Vossa Excelência na sua (como chamar-lhe…?) crónica de 14 de Maio passado, que “depois, e como causas destas já vão escasseando” - (que fiquem sabendo as parvas das pessoas que as causas humanas e sociais importantes vão escasseando!) – “os direitos dos animais. É nisso que eles [os políticos e legisladores] estão agora e o espectáculo é deprimente, como seria de prever quando os homens, querendo elevar os animais à condição humana, outro caminho não encontram do que reduzirem-se eles à condição irracional”.
Estará Vossa Excelência por certo a retratar-se, e confesso que foi extremamente bem-sucedido nesse retrato. Outra coisa não seria de esperar de um escritor famoso e filho de uma das maiores poetisas nacionais. Por isso, não duvidemos que é Vossa Excelência maior homem do que Lincoln, para quem não interessava “nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais”, mas é também maior do que Da Vinci, que disse “virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem”, ou mesmo Ghandi que referiu que “a grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pelo modo como os seus animais são tratados”.
Vossa Excelência, Sr. Dr. Miguel Sousa Tavares, é, sem sombra de dúvida, mais importante do que Schopenhauer, que considerava que “a compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Haverá maior crueldade do que a de um homem que remete os animais para a insignificância das “coisas”, negando-lhes o direito a fazerem parte dos “seres vivos”?
Poderá Vossa Excelência ter a humildade de aprender com um Prémio Nobel da Paz? Ou é Vossa Excelência também maior do que Albert Schwweitzer que disse “quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará de o ensinar a amar o seu semelhante”? Não, não é. Pois quem é maior não considera também fracturantes as questões humanas e sociais, como a eutanásia, e também os direitos de gays (por que não? Seremos homofóbicos por sinal?) e o estatuto dos animais (sim, sem aspas!). Creio que ainda ninguém lhe disse, Sr. Dr. Sousa Tavares, mas os animais “também” são seres vivos. Já reparou que os touros escorrem sangue, e que esse sangue é vermelho como o seu e o de todos os seres humanos? Não é verde, nem amarelo, é vermelho. Saberá Vossa Excelência que um animal, para além de sangrar, sente dor como os homens e que como os homens morre?
Terá porventura Vossa Excelência vergonha de dizer que o “destino dos animais é mais importante do que o medo de parecer ridículo” como afirmado pelo grande Emile Zola? Ou também é Vossa Excelência maior e mais importante do que ele?
Sabe quem foi Pitágoras, Sr. Doutor? Sabe que nos seus tempos idos, muito antes deste século XXI em que Vossa Excelência habita, já dizia que “enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor”? E que referia sem vergonha ou medo que “os animais dividem connosco o privilégio de terem uma alma”?
A si, Sr. Doutor, digo-lhe o mesmo que Victor Hugo (sem dúvida um homem muito inferior a si) disse: “Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à Natureza e aos animais”.
Quem pensariam estes homens que eram? Que veleidade teve Charles Darwin (outro ser tão inferior a si) ao afirmar que “a compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana” e que “não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais… os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento”? E S. Francisco de Assis? E Sigmund Freud? E Dalai Lama? E Thomas Edison?
Gente menor, por certo, Sr. Dr. Miguel Sousa Tavares?
Lendo o que escreve, leio a sua alma e o seu carácter. E ao fazê-lo só posso recordar-me das palavras de Mark Twain: “Ao estudar as características e a índole dos animais encontrei um resultado humilhante para mim”. Mas devo ir ainda mais longe, pelo resultado humilhante das suas palavras, ideias e intenções. Devo ir até Clive Staples Lewis (caso não saiba quem é consulte C. S. Lewis -https://en.wikipedia.org/wiki/C._S._Lewis(link is external)) e dizer-lhe abertamente que “se podemos cortar bestas simplesmente porque elas não podem impedir-nos e porque estamos a dar as costas ao direito à vida, então é lógico cortar imbecis, criminosos, inimigos ou capitalistas, pelas mesmas razões”.
Diz Vossa Excelência: “Entendamo-nos, como ponto prévio: alguém que maltrata animais é uma besta [incluímos nesta sua opinião os touros?]. Mas, para obviar a isso, existe uma coisa que se chama educação – não uma coisa que se chama lei.” Vamos, então, dissecar a sua preleção.
Tudo é educação. Vamos eliminar as leis. É uma questão de educação para o assassino, o violador, o pedófilo, o ladrão. Não precisam de leis, precisam de educação. Não é óbvio, Excelência? Tão óbvio como o próprio carácter “educativo” das leis e das regras? Por que temos leis para quem mata um homem e não para quem mata um animal? Porque há “gente”, que me desculpe a verdadeira gente, que continua a pensar, trogloditamente, que quando se conclui, obviamente, que um animal é um “ser vivo” e não uma “coisa” estamos a “humanizar” o animal. Como se apenas os humanos tivessem direito ao estatuto de ser vivo… mesmo quando não o merecem.
Como considera Vossa Excelência um ser vivo que sente dor, angústia, medo, fome, frio, sede, alegria…? Não será um “ser vivo sensível”… “como diz o PAN”, segundo as suas palavras? Sabia que não é só o PAN que o diz e o pensa? São largos milhares de pessoas em todo o mundo, são muitos grandes pensadores, filósofos, políticos, estadistas e até cientistas? Sim, Sr. Doutor, Ciência! Cientistas como os que assinaram o Manifesto de Cambridge (para que possa aprender consultehttp://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf(link is external)), de seu nome técnico “Declaração de Cambridge sobre a Senciência”.
Não vale, de todo, a pena dissecar mais as barbaridades que consegue consecutivamente defender.
Há uma coisa que me aflige, muito: a incapacidade de o Homem pensar e raciocinar. Mantenho, infelizmente, a minha preferência pela porcaria à estupidez… porque a porcaria limpa-se.

IMPORTANTES NOTAS DA AUTORA
1: por falar em estupidez… associar um mosquito ou uma mosca a mamíferos e aves é manifestamente estúpido. E já agora recordemos o que é um Homem, ou Ser Humano se preferirem: é um mamífero! Não é uma criação milagrosa com direito a categoria especial no Universo. É um animal… muitas vezes, como já está provado, menos racional do que o humilde burro e muito menos inteligente do que um cão, um gato, um porco, um golfinho, um cavalo, um touro, e et cetera.
2: E continuando na senda da estupidez, “muitos seres sencientes com vivência associada aos seres humanos” não tem a ver com insectos, Sr. Doutor Miguel Sousa Tavares. Por favor estude, aprenda. Se não sabe o que é senciência, mesmo depois de ler a Declaração de Cambridge sobre a Senciência, diga, que eu terei muito gosto em explicar.
3: Quanto a “vegetarianos neurónios”, pelo menos há quem tenha alguma espécie de neurónios!
4: Qual será a dúvida a revestir a seguinte frase: “tanto homens como animais devem integrar um espaço comum, a ser por todos fruído e partilhado”? Pensará Sua Excelência Miguel Sousa Tavares que vive sozinho neste Planeta, apenas acompanhado pelo seu umbigo? Não. Eu explico: neste Planeta vivem todos os animais, domésticos e selvagens… sendo porventura o mais selvático aquele que dá pela denominação de Homem, um mamífero bídepe e erecto extremamente perigoso e particularmente agressivo, sendo o único animal na Natureza que sofre de vícios e mata por desporto e por prazer.
5: Ainda bem que confessa o “criminoso gozo de matar perdizes, rolas, pombos bravos, tordos, coelhos e outras espécies de caça, assim que a época se apresenta” (…) Bendita época de caça! Meu querido mês de Outubro!”.
Antes fosse ridícula esta bravata, mas é apenas triste. E tão mais triste quanto se atenta que o próprio FBI já inseriu os crimes contra animais na categoria de crimes contra a sociedade, e quando é sabido pelosprofilers (aqueles que fazem os retratos dos assassinos em série, esses mesmo) que “incêndios propositados e crueldade com animais são dois dos três sinais de infância que sinalizam o potencial de um assassino em série” (John E. Douglas, analista do FBI e autor de obras como “The Anatomy of Motive” e “Crime Classification Manual”, entre outras).
Convenhamos… que sensibilidade e bom-senso se pode esperar de um caçador e tauromáquico, ainda por cima tão pouco educado nas referências que faz a um deputado, legitimamente eleito por largos milhares de eleitores? (Eleitores são pessoas, sabe isso, não sabe Sr. Sousa Tavares?!).



por Filomena Marta
animasentiens











1 Aqui em Lisboa, os estivadores do porto entretêm-se numa greve de mês e meio, a juntar aos cem avisos de greve (umas consumadas, outras não, que apresentaram no último ano). Batem-se pelo direito adquirido de serem eles, o seu Sindicato, a determinar quem, quando e por quanto pode trabalhar no Porto de Lisboa, com exclusão de todos os demais. Ou seja, os pais, os filhos, os genros os cunhados e os amigos. Com isso, dão um notável contributo à economia, às exportações e ao Porto de Lisboa. É escusado falar na ilegalidade ou na inconstitucionalidade das suas reivindicações: fiquemo-nos pela sem-vergonha delas. Por acaso os senhores deputados da nação preocupam-se ou ousam preocupar-se com o assunto? Não, a tanto não chega a sua ousadia.

O senhor ministro da Cultura de Cabo Verde e o moçambicano presidente da CPLP escamaram-se muito porque o nosso Presidente Marcelo ousou questionar o êxito do Acordo Ortográfico. Não perceberam que o Presidente da República de Portugal tem o direito (e o dever) de questionar os benefícios para Portugal de um qualquer tratado internacional. E que, por maioria de razão, tem, tratando-se de um acordo internacional que mexe na língua que, desculpem lá, nós criámos, trabalhámos e levámos aos quatro continentes. Acaso os senhores deputados se preocupam com isso? Não, os senhores deputados da nação nem querem ouvir falar do assunto e tanto se lhes dá que uns escrevam assim e outros assado, porque isso não conta para nada na hora de contar votos, na paróquia que eles representam.

O que preocupa então, nos dias que correm, os nossos deputados? Primeiro que tudo, as causas “fracturantes”: os direitos de gays e lésbicas, a co-adopção, as barrigas de aluguer, a eutanásia e o mais que o cardápio fracturante se lembrar de propor. E depois, e como causas destas já vão escasseando, os direitos dos animais. É nisso que eles estão agora e o espectáculo é deprimente, como seria de prever quando os homens, querendo elevar os animais à condição humana, outro caminho não encontram do que reduzirem-se eles à condição irracional. Um burro é um burro, por mais simpático que seja. Mas, até ver, um homem não tem necessariamente de ser um burro. Mas alguns tentam — e o problema é quando conseguem. E quando podem e mandam.

Entendamo-nos, como ponto prévio: alguém que maltrata animais é uma besta. Mas, para obviar a isso, existe uma coisa que se chama educação — não uma coisa que se chama lei. A sensibilidade não se decreta por lei nem se garante por lei. E quando a lei, para melhor se impor, chega ao extremo de estupidez de tentar definir os animais como quase humanos (“seres vivos sensíveis”, como diz o PAN) e ameaçar com cadeia os mal-tratantes, torna-se ridícula, provocatória, imbecil, e logo ineficaz. 
Até ver, um homem não tem necessariamente 
de ser um burro. Mas alguns tentam — e o problema é quando conseguem. E quando podem e mandam

Propõe o PS, por exemplo, que quem maltrate um cão não possa criar galinhas e que quem maltrate um gato não possa criar cavalos. E se eu der um chuto no cu de uma galinha, não posso ter cães? E se esporear de mais um cavalo não posso ter gatos? Na mesma linha de raciocínio, também o PAN e o BE acham que o novo crime proposto de “animalicídio” seja extensível a “todos os animais sencientes cuja vivência está associado aos seres humanos”. Com penas de prisão de dois a três anos. Eu, por exemplo, devo confessar que passo as férias de Verão no Algarve e nas noites de sueste a matar tantos mosquitos quantos alcanço e todo o mês de Setembro a matar moscas, segundo vários métodos de exterminação em uso, e sem querer saber se a sua vivência está associada à minha. E que uma vez até, juntamente com um amigo caçador, montámos um rastilho de pólvora até à entrada de um ninho de formigas de asa, daquelas trazidas pelo vento quente de Marrocos, chegámos-lhe fogo e delirámos de alegria quando vimos o ninho explodir e centenas ou milhares de formigas levantarem voo no ar. Quantos anos de prisão, em cúmulo jurídico por cada animalicídio de formigas, me estariam reservados pela nova lei? Mas depois, tendo em conta a sobrecarga prisional com seres humanos, qual o sentido de me enfiarem numa prisão, onde consta que muitos “seres sencientes com vivência associada aos seres humanos” — tais como formigas, piolhos, percevejos e até ratos — abundam por ali, à mercê dos criminosos animalicidas?

Justamente, esta questão das “formigas, moscas e etc.” é a única que pareceu “porventura excessiva” ao Conselho Superior da Magistratura, chamado a dar um douto parecer sobres os projectos legislativos do PAN e dos demais, política e correctamente amedrontados, parceiros legislativos. Mas também, reconheça-se, os doutos magistrados salvaguardaram das penas da lei os animalicidas de animais mortos em “actividades pecuárias ou cinegéticas” (e, já agora, acrescento eu, de pesca), “sob pena de conversão forçada dos humanos ao vegetarianismo” — (haja Deus: vocês já viram a cara do deputado André Silva, do PAN, já viram funcionar aqueles vegetarianos neurónios?). Mas, no mais, os doutos magistrados estão, também eles, rendidos à causa, que vêem como “uma problemática de acrescida importância recentemente, tendo em conta a consabida autonomização do Direito dos Animais” (as maiúsculas e o luminoso português são de sua autoria). Aliás, os doutos não têm dúvida de que “tanto homens como animais devem integrar um espaço comum, a ser por todos fruído e partilhado” (na esteira do que pretende o PAN, que está a ensaiar a tentativa legislativa de nos fazer partilhar com os sencientes animais supermercados, centros comerciais, restaurantes e o que demais). Aliás, sempre um passo à frente, o CSM proclama que “a única maneira de cortar com o círculo de exploração animal seria preconizar a abolição do estatuto de propriedade sobre os animais, assumindo-se a titularidade dos direitos aos animais, tal como sucede com as crianças”. Não posso estar mais de acordo: isto é como a libertação dos escravos no século XIX, ou como a libertação, que urge, dos canários das gaiolas ou dos peixes dos aquários, ou até dos cães das marquises — onde permanecem cativos às mãos dos amigos dos animais. Depois, é certo, resta a questão, prática e mesquinha, do destino a dar aos animais resgatados da escravatura dos animalicidas. Há quem proponha que eles sejam entregues a “um familiar que não coabite com o arguido” e há quem proponha que eles sejam declarados “perdidos a favor do Estado”. Pois, porque não: os gatos para o MNE, os periquitos e canários para o Ministério da Cultura e os cães para o CSM. Ah, e as moscas e mosquitos para o Ministérios das Finanças.

Por mim, podem mandar já a dupla Rosário Teixeira/Carlos Alexandre buscarem-me a casa, porque eu confesso tudo à partida, sem necessidade de escutas telefónicas nem “Panama Papers”: além de exterminar todas as moscas, mosquitos e formigas que me passam ao alcance, ainda tenho o criminoso gozo de matar perdizes, rolas, pombos bravos, tordos, coelhos e outras espécies de caça, assim que a época se apresenta. E, agora, ainda tenho o gozo acrescido de, cada vez que oiço aquele som “pan, pan” da minha espingarda, imaginar o deputado André Silva, do PAN, a ser atingido por um repolho ou uma abóbora em plena cara, todo ele coberto de pevides, talos e sementes de clarividência. Bendita época de caça! Meu querido mês de Outubro!

2 Eu também tenho o direito de escolha, em matéria de saúde: mesmo havendo um hospital público nas imediações, tenho o direito de escolher ser tratado no Hospital da Luz ou da CUF, e que o Estado (os outros otários contribuintes) paguem a diferença de preço para o tratamento no SNS. Julgo que nem a Igreja Católica nem os senhores dos colégios privados poderão pôr em causa o meu direito. Não é assim?

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia 

sexta-feira, maio 06, 2016

Farsa: elefantes do circo Ringling Bros. não terão liberdade garantida conforme anunciado

Foto: Reprodução/ABC News
Foto: Reprodução/ABC News
O famoso circo norte-americano Ringling Bros. and Barney & Bailey anunciou que libertaria os elefantes explorados, após uma última apresentação.
Mas, na verdade, os animais só serão encaminhados ao Center for the Elephant Conservation dentro de três anos. Pior: o local não é um santuário, como se esperava, e sim um centro de reprodução forçada e treinamento tal qual o circo.
O “Centro pela Conservação dos Elefantes”, embora tenha a aparência de um santuário, tem um péssimo histórico em relação aos animais – incluindo denúncias de elefantes bebês sendo treinados para a exploração no picadeiro.
Segundo o Unchainmee, um grupo internacional pela abolição do uso de animais em circos, a medida anunciada não passa de uma manobra política para apaziguar consciências e driblar a pressão mundial contra a exploração animal na indústria do entretenimento.
Para os ativistas, cabe a nós cidadãos exigir que todos os circos tenham apenas artistas humanos e que todos os animais sejam enviados para santuários, livres de exploração humana.
“Não devemos discriminar estes animais por espécie. Nenhum deve ser forçado a imitar humanos e a fazer as pessoas rirem — sejam de espécies domésticas ou selvagens.”, escreve a Unchaimee no Facebook. “O poder está em nós, cidadãos, e na nossa determinação.”

sábado, setembro 05, 2015

Embalagens Solidárias: "Devemos dar como queremos receber"

Imagem da embalagem solidária disponível nos CTT

A campanha é dos CTT e visa o envio gratuito de bens para instituições de solidariedade social.

Sabe o que é uma "Embalagem Solidária"? A maioria dos portugueses não sabe, mas trata-se de um "Projecto dos CTT de luta contra a pobreza e exclusão social". Estas embalagens são disponibilizadas nas lojas dos CTT para doações em género. O seu envio é gratuito; basta voltar a entregá-la na rede de atendimento (loja CTT). Após a escolha do endereço da instituição, a embalagem chegará ao destino através da rede de distribuição dos CTT.

Na página dos CTT online não se encontra informação sobre estas embalagens solidárias. Mas após pedido de informação via e-mail , esclareceram que este projecto de luta contra a pobreza e exclusão social está em vigor desde o dia 9 de Outubro de 2008: "Os CTT convidam os cidadãos de todo o país a fazer donativos em géneros para um número alargado de instituições de solidariedade social, nacionais e locais, de uma maneira fácil, rápida e eficaz", referiram.

A publicação desta informação e da possibilidade de ajudar por uma utilizadora na sua página do Facebook levou a que o "post" já conte com 13 mil partilhas em apenas dois dias. Surpresa é a reacção presente nos comentários à publicação. Como é que uma campanha de solidariedade não é divulgada devidamente? Como é que os meios de comunicação não falam desta possibilidade de ajudar gratuitamente? Como é que nos próprios postos dos CTT não existe qualquer informação referente a este serviço?

A lista de instituições aderentes a este projecto inclui várias associações, como ABRAÇO, SOL, Fundação AMI, Cruz Vermelha Portuguesa, LNCF e Comunidade Vida e Paz, todas com necessidades que vão desde bens alimentares, roupas, livros, material informático, até cabos eléctricos para reciclagem. Na página online da Comunidade Vida a Paz, no separador "Doações em Género", pode ler-se: "Partilhe connosco a sua despensa. O que para si é um item a ocupar espaço na despensa, pode significar muito para um dos beneficiários da Comunidade".

Muitas pessoas têm-se mostrado dispostas a ajudar, e sempre que surgem campanhas solidárias existem novos números que espelham a generosidade dos portugueses. Esta forma de ajudar está a ser aplaudida por muitos. "Devemos dar como queremos receber" é o provérbio popular inscrito na embalagem. Embora a divulgação fique aquém do devido destaque que merece, para muitos dos internautas.

domingo, agosto 23, 2015

Ser Sensiente

0) Ser Sensiente
É um ser sensiente todo aquele que pode sofrer fisicamente ou psiquicamente,
e que se caracteriza por possuir um sistema nervoso e um cérebro desenvolvidos.
O conjunto dos seres sensientes compreende entre outros as espécies vertebradas,
os mamíferos (humanos ou não), os pássaros, os répteis, os anfibios e os peixes.

1) Direitos fundamentais
Todo o ser sensiente tem direito á vida e ao bem estar.

2) Principio de igualdade
No conjunto dos seres sensientes e devido aos seus direitos fundamentais,
as prerrogativas de cada um cessam onde começam as de outros.

3) Enquadramento legal
A lei rege os actos dos seres humanos sensientes.
As interacções dos seres sensientes humanos estão regulamentadas pela legislação existente.
As interacções dos seres sensientes humanos com os seres sensientes não humanos estão estabelecidas no artigo seguinte.

4) Modalidades
Todo o acto de um ser sensiente humano que atente contra os direitos fundamentais de um ser sensiente não humano é ilegal.
Consideram-se actos ilegais entre outros:
- A caça, a pesca, a matança para alimentação;
- os maus tratos ocasionados pela criação, a experimentação científica, os espectáculos, a domesticação.

domingo, maio 17, 2015

"As plantas também sentem dor"



Qualquer Vegano já terá encontrado no seu percurso de vida alguém não-vegano que tenha cuspido esta preciosidade...

Afinal, o que é a "Dor"?
A Dor é um fenómeno multidimensional, envolvendo aspectos físico-sensoriais e aspectos emocionais.
De acordo com a IASP (International Association for the Study of Pain): "Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano.
Nota: a incapacidade de comunicar verbalmente não exclui a possibilidade de que um indivíduo esteje a experienciar dor e a necessitar tratamento para alívio da mesma.
A dor é sempre subjectiva e cada indivíduo aprende o uso da palavra dor através de experiências relacionadas com traumatismos no início da sua vida.
Os cientistas verificam que os estímulos que causam dor causam provável dano nos tecidos.
Assim, dor é a experiência que associamos à real ou potencial dano nos tecidos. É de forma inquestionável uma sensação em parte ou partes do corpo, mas é também sempre desagradável, e consequentemente também uma experiência emocional."
Para além de que a expressão "As plantas também sentem dor" seja uma locução errada, quanto ao que a Ciência empiricamente consegue obter resposta, é também irrelevante.
- - Alto! - Porquê errada!?
Porque a comunidade científica nunca conseguiu atribuir a característica "dor" ao reino vegetal, nem se avizinha que o seja possível fazer.
Sim, já se verificou que as plantas reagem mecanicamente de variadas formas a estímulos externos, tais como quando estão a ser comidas por insectos, quando detectam a presença de insectos nas suas armadilhas para insectos, quando recebem a luz solar pela manhã, e até quando estão a arder - acção/reacção.
Mas passar de uma "reacção a estímulo externo", uma reacção mecânica, a "sentir dor", vai todo um mundo de distância...

Pensemos no seguinte exemplo:
O António, guloso, mete a mão no tacho para tirar um pedaço de comida.
Queima-se devido à temperatura, e adopta dois comportamentos distintos:
1º - Retira a mão do tacho repentinamente, recolhendo a mão junto de si, e;
2º - Grita "AI! FODASSE!!!" e põe-se a soprar para a mão na tentativa de a arrefecer.
No primeiro momento, o António reagiu ao estimulo externo - teve uma reacção mecânica, afastando a mão do local que lhe queimou a mão.
No segundo momento, o António sentiu a dor - teve uma resposta fisiológica e emocional ao estímulo externo provocado pelo calor sobre a sua mão.
Se substituirmos neste exercício o António por uma couve, verificamos que à couve faltará a resposta fisiológica e emocional.
Logo, não há "Dor". 
Haverá sim, "reacção mecânica".

Pode assim dizer-se com alguma confiança que as plantas "sentem", em sentido lato.
Já não se pode é dizer que as plantas "sentem dor", em sentido estrito.
- - Alto! - Irrelevante?! Porquê irrelevante!?

Ao afirmar-se que "As plantas também sentem dor", pretende-se indiciar:

A) - A ideia que os veganos provocam sofrimento às plantas quando as comem, ao mesmo tempo que defendem que é errado, injusto e imoral provocar sofrimento desnecessário a terceiros, logo serão hipócritas;

B) - A ideia que os veganos matam muito mais plantas na sua vida do que um carnista mata animais na sua vida, para as suas respectivas alimentações, logo serão hipócritas.
Vejamos porque a acepção A) é errada.
Porque primeiro, como se verificou as plantas não sofrem, logo, todo este exercício não faz sentido...
Segundo, porque ainda que sofressem, ou que se viesse a descobrir empiricamente que existiria dor no sentido em que o experienciamos e reconhecemos, no reino vegetal, não existiria qualquer hipocrisia, uma vez que o veganismo defende que é errado, injusto e imoral provocar sofrimento DESNECESSÁRIO a terceiros. Ora, desnecessário significa sem sentido, inútil, profuso, supérfluo, escusado.
Como até os carnistas concordarão, comer, não é uma actividade inútil, desnecessária.
É uma actividade obrigatória para garantir o funcionamento dos nossos corpos e subsequentemente, as nossas próprias vidas.
Comer é um acto de sobrevivência, e todos nós temos imperativos de sobrevivência que determinam os nossos comportamentos, seja estes para auto-preservação ou da nossa própria espécie.
Ou seja, neste hipotético, repito, hipotético cenário de dor no reino vegetal, seria necessário matar plantas para as comermos e sobrevivermos - o que não corresponderia a nenhuma hipocrisia, pois o veganismo não defende que é errado comer para viver. Se assim fosse, então um vegano consideraria como imoral e injusto um leão comer uma gazela. O que seria, óbviamente, ridículo.

Vejamos agora porque a acepção B) é errada.
Ora, aqui vou colocar um exercício de lógica ao leitor:
- A massa média de um homem adulto varia entre os 76 e 83 quilos
- A massa média de um bovino adulto varia entre os 195 e 225 quilos
Portanto, um bovino pesa em média mais 125 quilos que um humano.
- Um homem adulto necessita de 3 quilos de comida/dia para sobreviver
- Um bovino adulto necessita de 60 quilos de comida/dia para sobreviver
Portanto, um bovino precisa de mais 57 quilos de comida/dia que um humano para viver (grosso modo, cerca de 20 vezes mais que um ser humano).
- Existem cerca de 7 biliões de humanos no Mundo
- Existem cerca de 90 biliões de animais para abate/consumo humano no Mundo, por ano (sem contar com os animais marinhos mortos para consumo humano - estima a ONU que este numero aumente para os 150 biliões)
Portanto, existem cerca de 7 animais para abate por cada ser humano no Mundo.
Ora, a esmagadora maioria destes 90 biliões de animais para abate e consumo humano são herbivoros (analógicamente, vegetarianos).
Portanto, para alimentar 90 biliões de animais, é necessário produzir pelo menos 20 vezes mais vegetais, do que seriam necessários produzir se nos alimentássemos directamente dos vegetais produzidos, em vez dos animais que consumiram os vegetais.
(Pese embora o maior ou menor rigor nos numeros apresentados, a proporcionalidade é semelhante, pelo que desconsiderar este exercicio porque a vírgula não está no sitio certo, é também, irrelevante...)
Portanto, um carnista mata muito mais plantas (cerca de 20x mais), do que um vegano, nas suas vidas, para suportar as suas respectivas alimentações - o hipócrita é o carnista, e não o vegano.

Conclusão:
Quem usa este e outro tipo de argumentos sem sentido, baseados nas premissas da "sabedoria popular" e preconceitos adquiridos, não tem outro objectivo que não sentirem-se bem consigo próprios.
O que, é um bom sinal.
Na verdade, quer dizer que também se preocupam com o sofrimento e morte desnecessárias dos animais, tanto que sentem a necessidade moral de justificar os seus próprios comportamentos, incoerentes com os seus próprios valores morais.
Fazem-no, através da "Projecção", que é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de um determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra pessoas. A projeção psicológica reduz a ansiedade por permitir a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça.

Um exemplo deste comportamento pode ser o de culpar determinado indivíduo por um fracasso próprio, ou transferir para outrém a culpa dos seus próprios comportamentos, decisões e escolhas individuais.

Nestes casos, a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as suas próprias falhas noutras pessoas.
No caso do carnismo, só é possível ultrapassar este fenómeno, quando em vez de olharmos para os nossos próprios interesses egoistas, olharmos para os interesses das vitimas.

Portanto, da próxima vez que oiça "As plantas também sentem dor!", dê um abraço nessa pessoa, e agradeça-lhe a preocupação com os animais.

Aproveite e peça-lhe coerência: - que pare de os comer.
Os animais agradecem, e para as plantas, é irrelevante e indiferente...


Texto de Pedro Garcia



E AS PLANTAS? por Bruno Müller

  • A sensibilidade das plantas e o vegetarianismo
  • A sensibilidade que as pessoas atribuem às plantas
  • As plantas
  • Consciência animal: Algo ou “alguém” gritante
  • Mas como você pode provar que as plantas não sentem dor?
  • Não há estudos que demonstram que plantas podem gritar, etc.?
  • Plantas também sentem dor e medo. Então temos que parar de comer plantas também.

sábado, outubro 11, 2014

Saiba quais são as 6 piores empresas para os animais no mundo

A ONG PETA Latino reduziu a vasta lista de companhias que não respeitam os animais para as 6 piores empresas do mundo. Foi levado em conta os maus-tratos praticados por elas, que vão desde testes em animais até espancamentos e assassinatos. Aqui estão as piores das piores:
AIR FRANCE
Você poderia pensar que todos que viajam em um avião vão a algum lugar divertido, mas se viajam pela Air France, provavelmente alguns dos passageiros poderão ser prisioneiros que foram capturados ou criados para serem usados em experimentos cruéis.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Diferentemente de outras grandes companhias aéreas, a Air France envia macacos a laboratórios para serem enjaulados, amputados, envenenados e assassinados em experimentos. É possível que os passageiros da Air France não saibam que debaixo de seus pés se encontram jaulas cheias de macacos que foram retirados da natureza ou criados em cativeiro antes de serem colocados em um vôo sem retorno a laboratórios. Mas agora você já sabe disso.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Como ajudar os macacos transportados pela Air France
Boicote a Air France e faça com que a companhia saiba que não poderá obter o seu dinheiro até que se una a todas as outras grandes companhias que têm negado participar dessa crueldade. Clique aqui e preencha seus dados no final da página.
MCDONALD’S
Cada pedido de McNuggets é servido com uma porção de crueldade. As galinhas mortas pela cadeia de comida rápida frequentemente estão com as asas feridas e outras lesões como resultado da manipulação indevida e do constante abuso absoluto.
Jo- Anne McArthur/We Animals
Jo- Anne McArthur/We Animals
Os fornecedores de frango do McDonald’s usam um método arcaico para matar: as aves são penduradas de cabeça para baixo e degoladas, normalmente enquanto ainda estão conscientes.
Mas o sofrimento não termina aí. Algumas aves se esquivam da navalha usada para degolar e ainda estão vivas quando são atiradas aos tanques de água fervente para serem depenadas.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Como ajudar as aves que são criadas para consumo
Não coma no McDonald’s! E, melhor ainda, seja vegano e livre de crueldade! Assim você não apoiará nenhuma indústria que maltrate os animais.
PETSMART
A PetSmart compra milhares de pequenos animais por ano (hamsters, porquinhos da índia, chinchilas, aves e répteis) e vende esses animais por um preço muito baixo.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Muitos desses bonitos animais morrem lentamente em habitações que ficam atrás das lojas da empresa. Uma investigação realizada pela ONG PETA revelou que mais de 100 animais pequenos foram privados de atendimento veterinário adequado e estavam morrendo lentamente a portas fechadas – longe dos olhos dos clientes.

Foto: Divulgação
Como ajudar os animais do comércio de “animais de estimação” 
Boicote a PetSmart e informe a companhia o porquê de você se opor a essas práticas empresariais. Opte também por comprar a alimentação do seu animal de companhia em locais que não comercializam vidas.
REVLON
A Revlon esteve livre da crueldade por mais de 20 anos, mas a ONG PETA descobriu em 2012 que a empresa estava vendendo seus produtos na China, onde são exigidos experimentos cruéis com animais para todos os produtos cosméticos importados.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A Revlon ainda declara ser uma empresa livre de crueldade, mas tem enganado os consumidores e traído a sua confiança por continuar vendendo seus produtos no mercado chinês.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Como ajudar os animais utilizados em testes de produtos
Não deixe que a Revlon te convença a comprar produtos testados em animais. Diga não às empresas cruéis, e sim as marcas livres de crueldade! Confira aqui a lista de empresas que não testam em animais.
O CIRCO RINGLING BROS. AND BARNUM & BAILEY
Quando se trata de maltratar os animais, o circo Ringling Bros. é definitivamente o pior. A foto abaixo mostra o treinamento de um elefante no circo Ringling.

Foto: Divulgação
Os bullhooks são bastões com ganchos afiados similares aos atiçadores utilizados em chaminés. Esses instrumentos são encaixados na pele dos elefantes, o que faz com que gritem de dor. Em 2011, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aplicou a multa mais alta de toda a história dos circos no Ringling: $270.000 – por crueldade aos animais!
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Como ajudar os animais utilizados nos circos
Boicote qualquer circo que utilize animais para entretenimento. Há alguns circos espetaculares sem animais que empregam somente seres humanos que realmente escolhem atuar.
SEAWORLD
Você prefere boiar em uma banheira durante toda a sua vida ou aventurar-se pelo mundo com a sua família? As orcas do SeaWorld não têm opção – estão presas em um tanque de cimento para sempre. Além disso, são retiradas da natureza ainda bebês e nunca mais voltam a ver as suas famílias. Ou elas são criadas em cativeiro e nunca chegam a nadar livremente no oceano – as orcas no SeaWolrd também são forçadas a realizar truques em troca de alimento.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Se você já assistiu a Blackfish, então sabe que a orca em cativeiro Tilikum já sofreu o suficiente na sua prisão. Ela já matou 3 pessoas. E por quê? Na natureza, as orcas nadam até 100 milhas em um único dia. As orcas em cativeiro teriam que nadar ao redor do seu “oásis” de concreto 1.900 vezes em um dia para cobrir essa mesma distância.
Como ajudar os animais nos parques marinhos
Boicote o SeaWorld e outros parques marinhos que utilizam as orcas inteligentes ou outros animais para o entretenimento e enriquecimento financeiro.
Agora que você já sabe quais empresas evitar, por favor, ajude a difundir essas informações junto aos seus amigos e familiares para que eles entendam por que não devem apoiar as empresas cruéis que utilizam animais para obter vantagens e lucro.