Mostrar mensagens com a etiqueta tradição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tradição. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 07, 2010

Presidente da Câmara de Santarém lança petição para "defender tradição"

Moita Flores quer reunir 100 mil assinaturas em defesa da tourada


Petição lançada "em nome do progresso com memória", diz Moita FloresAutarca de uma das cidades portuguesas mais ligadas às corridas de touros anuncia a criação de uma associação de municípios, com Espanha e França, para a defesa da tauromaquia.


Petição lançada "em nome do progresso com memória", 
diz Moita Flores (Foto: Alfredo Cunha/arquivo)

O presidente da Câmara de Santarém é o primeiro subscritor de uma petição "em defesa da Festa Brava", lançada na semana passada. Francisco Moita Flores quer recolher 100 mil assinaturas até Julho de 2011, para demonstrar a sensibilidade do povo português relativamente à tauromaquia, contra "os "talibãs" que em nome dos direitos dos animais procuram destruir os animais, a economia que os sustenta, além da cultura a eles imanente". A petição, já disponível na Internet, tinha ontem cerca de 350 signatários.

Moita Flores sustenta que este é "um combate pela cidadania e pelos direitos da Terra para que ninguém se amedronte perante a gritaria histérica de alguns" e pretende "mostrar definitivamente ao país que não nos submetemos à ditadura do "hamburguer" urbano e que somos muitos, disponíveis para lutar, resistir e assumir Portugal na sua unidade complexa e diversa".

Algumas organizações defensoras dos direitos dos animais, como a ANIMAL, anunciaram a intenção de levar ao Parlamento uma petição legislativa para a abolição das touradas e reforçar as leis de protecção animal. A proposta será apresentada na Assembleia da República a 17 de Setembro, dois dias depois do arranque do novo ano legislativo. Já em Espanha, por exemplo, a Catalunha proibiu as touradas em Julho.

E foi neste cenário que Moita Flores anunciou, na última reunião da Câmara de Santarém, a criação de uma associação de municípios de Portugal, Espanha e França para a defesa da tauromaquia e o lançamento desta petição.

Lembrando as suas origens alentejanas, Moita Flores acusa os promotores das iniciativas contra as touradas de não estarem interessados na defesa dos direitos dos animais, nem na defesa dos direitos do homem. "Gritam o folclore politicamente correcto e giro! E fazem abaixo-assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas próprias consciências".

Classificando de "hipocrisia" as posições tomadas pelos que defendem a proibição das actividades tauromáquicas, o autarca diz que resolveu lançar esta iniciativa "em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, dos pastores e dos campinos, da economia agrícola e animal associada à festa e ao espectáculo, em nome do progresso com memória, em nome do desenvolvimento sem perder o sentido da História".

Em resposta, a presidente da associação ANIMAL, Rita Silva, considera que Moita Flores "está a confundir um gosto pessoal com a vontade dos portugueses" e caracterizou a petição como "uma vergonha". "O facto de algo ser uma tradição não quer dizer que seja moralmente aceitável, porque os tempos mudam", justifica. A presidente da associação disse ainda ao PÚBLICO não ter dúvidas de que a petição vai abrir "uma caixa de Pandora", suscitando uma quantidade de reacções a favor e contra a tauromaquia. No que respeita à ANIMAL, Rita Silva assegura que o propósito de Moita Flores "vai ser combatido". com Patrícia de Oliveira

Fonte: Público

quarta-feira, junho 02, 2010

Tradição cruel: Portugal realiza eventos de tortura aos animais durante feriado religioso

Por Amanda Grimm   (da Redação)
Na véspera do feriado de  Corpus Christi, chamado de Feriado de Corpo de Deus pelos lusitanos, Portugal sediará mais dois eventos de tortura e crueldade contra animais. A vítima, mais uma vez, é um touro.
Entre os dias 2 e 5 de junho, os portugueses participarão do 22º Festival em honra ao cavalo Puro Sangue Lusitano, motivo de orgulho nacional. O evento, que será realizado no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, trará várias programações, entre elas, a famosa corrida de touros – que deveria ser motivo de vergonha nacional.
Para dar continuidade à tortura, hoje, quarta-feira (2), véspera de feriado, um touro andará pelas ruas de Ponte de Lima, enfrentando uma verdadeira via-crucis: será preso por cordas, esperando ser molestado pelos transeuntes mais “corajosos”. A tortura trata-se de uma tradição que começou em 1646 e é repetida todos os anos no dia que antecede o feriado.
Foto: Reprodução/pontedelima.net
Foto: Reprodução/pontedelima.net
Durante todo o ato de crueldade, chamado de Vaca das Cordas,  o touro, controlado por mais de dez pessoas e preso por duas cordas, é conduzido até a Igreja Matriz e preso à janela de ferro da Torre dos Sinos, onde recebe um banho de vinho tinto na região do “lombo abaixo, para retemperar forças”, como prega a cruel tradição.
Depois de toda essa humilhação, o animal é obrigado a dar três voltas na igreja, enquanto é enfrentado pela população, sofrendo todo tipo de maus-tratos. Após isso, o touro é levado para o areal da vila, onde começa mais uma sessão de tortura para ele e outros animais, a tourada ao ar livre.
Ao anoitecer, o animal é recolhido, sendo posteriormente abatido num matadouro para a carne ser comercializada num talho de Ponte de Lima.
Triste ver que um feriado de celebração cristã, que deveria pregar o amor ao próximo, seja de qualquer espécie, sirva de motivo para incitar a violência e tortura, sacrificando os seres mais vulneráveis, que não têm a menor possibilidade de defesa.
Fonte: ANDA

segunda-feira, maio 31, 2010

Mais vergonhas da nossa tradição e cultura(?)

Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,



E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.



Quem te sagrou creou-te portuguez.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


‘Corrida de caracóis’ e ‘vaca na corda’: tradição de maus-tratos e crueldade em Portugal

Por Lilian Garrafa  (da Redação)
A exploração de animais segue a passos largos em Portugal. Tradição e cultura são confundidos com maus-tratos e ignorância em dois eventos que ocorrem nesta época no país.

(Foto: Reprodução/Folder de divulgação)
O “Grande Prêmio” consiste numa corrida  de caracóis, que aconteceu na noite de sábado em Torneira/Serrião e contou com 49 participantes de Coimbra e do Porto. Os participantes são crianças, surpreendentemente selecionadas pelos estabelecimentos de ensino da região para “conduzirem” os moluscos. Os animais são, de forma bizarra, “trajados a rigor” e pintados para a corrida.  Evidente que as crianças enxergam os pobres moluscos como brinquedinhos, coloridinhos, com os quais podem satisfazer sua ansiedade pueril. Para aumentar a velocidade dos caracóis, os treinadores borrifam os animais com água.
Boi acuado e indefeso na corrida 'Vaca das cordas".
 (Foto: Reprodução/pontedelima.net)
A outra corrida acontecerá na próxima quarta-feira em Ponte de Lima. A corrida da ‘Vaca das Cordas’ é considerada “tradição secular” e leva à vila mais antiga de Portugal milhares de pessoas oriundas não só da região Norte, como da vizinha Galícia. O sádico e covarde ato consiste em milhares de pessoas correndo atrás do boi, que, preso por cordas, é obrigado a fugir dando três voltas na igreja. Às vésperas de Corpus Christi, a tortura exercida por uma massa cegada pela cultura inquestionável assemelha-se à farra do boi feita no Brasil –  outra tradição que, apesar de proibida, continua alardeada por Santa Catarina. Mais uma vez a religião é usada para justificar a crueldade contra animais, que, acuados e sem nenhum direito de defesa, são brutalmente utilizados para exorcismo das frustrações e expiação dos “pecados” humanos.
Fonte: ANDA