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sexta-feira, maio 10, 2013

Ponto de Vista VITAL: “A natureza não é sádica, nem desperdiçada”

"Interessa tentar compreender a vida e a diversidade dos seus seres e as suas características vitais. Importa que os seres vivos não sejam tratados como coisas inertes, quando na realidade não o são.
Um observador razoável pode interpretar as experiências que vai somando no dia a dia ao viver em contacto com os seres vegetais e animais (humanos e não humanos).
Assim vai poder chegar a convicções, género senso comum, ainda antes de a ciência ter confirmado os fenómenos. No entanto, a investigação e a confirmação científicas dão maior certeza e força ao que empírica e filosoficamente se admitiu.
Comecei por me interrogar e cogitar:
Porque fogem as baratas, quando se abre a porta de um armário onde estavam escondidas tranquilamente?
Porque fogem moscas e mosquitos quando tentamos apanhá-los, para que não nos incomodem?
Porque se escondem os caracóis nas casas, porque se fecham os mexilhões nas conchas, quando se sentem ameaçados?
Porque fogem ou reagem os animais, desde os considerados mais simples até aos considerados mais complicados/evoluídos, incluindo os humanos?
Respondendo empiricamente/logicamente: porque experimentam emoções (susto, desconfiança, medo) e quando atingidos, sentem dor, que é a melhor e a imprescindível educadora para adquirirem a sensação e a certeza dos perigos à sua volta.
Sem capacidade de sentir desconfiança, susto, medo e DOR, estariam os animais condenados a serem agredidos sem reacção de defesa/fuga e, portanto, condenados à não sobrevivência.
Deve existir uma parte da reacção que resulta das ordens saídas dos genes (vagamente apelidada de instinto) e outra causada pela experiência de sofrimento/dor que acontece ao longo da vida.
A dor e o medo de sentir dor são os melhores aliados para a defesa da integridade física e da vida de todas as espécies animais.
Sistema receptor, transmissor, interpretador de estímulos e emissor de respostas é o sistema nervoso, desde sistemas considerados rudimentares, até sistemas considerados evoluídos.

É absolutamente errada a invenção de que nas touradas os touros possuem mecanismos que os impedem de sentir dor, ou que lhes diminuem muito a dor!

Plantas não têm sistema nervoso, não têm meios de locomoção, não têm capacidade de fugir da agressão. Líquido que pode escorrer da superfície de cortes (que alguém compara a lágrimas) não passa de seiva (transportadora de substâncias nutritivas numa função comparável à da linfa em animais).
Logicamente, se a natureza não forneceu as plantas com sistemas que lhes permitisse fugir da agressão/perigo, ela não deu às plantas a capacidade de sofrer física e mentalmente. Elas não são dotadas de sistema nervoso, nem de algo funcionalmente comparável. “A natureza não é sádica, nem desperdiçada”.

Desafio e agradeço a quem pense de outra maneira, a apresentar uma explicação alternativa."

Vasco Reis, médico veterinário
8.5.2013

quinta-feira, novembro 24, 2011

Vasco Reis reclamou junto do presidente do grupo parlamentar do CDS/PP Nuno Magalhães da interpelação de João Almeida sobre tauromaquia

Vasco Reis reclamou junto do presidente do grupo parlamentar do CDS/PP Nuno Magalhães da interpelação de João Almeida sobre tauromaquia

Carta que Vasco Reis, médico veterinário, fez chegar ao presidente do grupo parlamentar do CDS/PP, Nuno Magalhães, sobre a intervenção do deputado daquele partido, João Almeida, na interpelação ao secretário de Estado da Cultura durante o debate na comisão parlamentar sobre o Orçamento de Estado para 2012.


Exmo. Senhor Deputado Nuno Magalhães
Dgmo. Presidente do Grupo Parlamentar CDS/PP


A intervenção veemente do Senhor Deputado João Almeida em favor da tauromaquia revelou um profundo desconhecimento científico ou uma total indiferença pelo terrível sofrimento de touros e de cavalos; uma atroz ausência de compaixão e de sentido de ética; uma forte faceta oportunista e uma falta de vergonha e de respeito pelas muitas pessoas conscientes, que por justas razões abominam tal actividade, que só existe para gáudio de pessoas viciadas em violência e crueldade, para exibicionismo, para negócio em nome da tradição e até em vários sítios para inovação.
O acompanhamento por 25 pessoas que se retrataram como aficionados e elementos influentes da tauromaquia, feito nas galerias da AR durante a respectiva alocução, ilustra o papel do deputado como emissário deste grupo, pelos vistos, por ele bem avisado e com ele bem concertado. 
O senso comum induz e a ciência confirma que os animais utilizados, touros e cavalos, sofrem muito psicológica e fisicamente antes, durante e depois das corridas. E muitos mais sofrerão em lides privadas para "treino e diversão tauromáquicos" por este país fora.
São estes seres dotados de fisiologia e de sistema nervoso semelhante aos do Senhor Deputado e, pelo menos, tanto como ele, sensíveis a claustrofobia, susto, medo, fúria, dor, esgotamento, infecção, doença, etc., mas que os aficionados pretendem ignorar e que deixa muita gente indiferente. 
Muito mais haveria a argumentar, mas que até aborrece repetir, de tão óbvio.
Tratou-se, portanto, na minha opinião, de um acontecimento vergonhoso para o Senhor Deputado, para o seu Grupo Parlamentar, para o seu Partido, para o nosso Parlamento, para a reputação do nosso país, quiçá em nome de uma liberdade democrática que tem permitido a crueldade como espectáculo e que aceita agora esta sua apaixonada defesa na sede da nossa democracia, a Assembleia da República, sem que vozes da indignação se tenham feito ouvir. 
Assino-me como um dos muitos porugueses que se envergonham deste acontecimento e que lastimam também a repercussão que isso vai ter no mundo evoluído.

Vasco Reis, médico veterinário
Aljezur

Fonte

quarta-feira, outubro 26, 2011

Resposta ao artigo de Chaubet: A OPINIÃO DE CHAUBET: "SERÁ O TOIRO MASOQUISTA?"

Texto original:
A OPINIÃO DE CHAUBET: "SERÁ O TOIRO MASOQUISTA?"

Uma passagem por vários sites "anti-taurinos" ou "anti-touradas", levou-me a constatar que se servem todos do mesmo discurso para atacar e tentar acabar com o espetáculo tauromáquico.

Encobrindo outras razões menos nobres como inveja, frustração ou desejo de protagonismo, usam como ponta de lança desse objetivo, os maus tratos sofridos pelos toiros nesses eventos. Ora vamos lá especular um pouco sobre este argumento.

Os "anti-taurinos" ou "anti-touradas", travestidos de piedosas carpideiras, alegam que são impiedosos e inaceitáveis os tormentos porque passam os toiros quando na arena.

Os "pró-toiros" e "pró-touradas", respondem que o toiro debaixo da excitação em que está, mal sente a dor. Sou aficionado. Obviamente estou de acordo com os "pró".

Não possuo os conhecimentos científicos evocados por alguns dos que mandam mensagens para os sites "anti" a apoiá-los. Porém, o saber que me dá a experiência analitica do comportamento do toiro durante a lide, leva-me a pergutar aos "anti": "como explicam o facto do toiro estar a ser "picado" , as "puyas" e bandarilhas a rasgarem-lhe o corpo e não fugir como faria qualquer outro animal? Pelo contrário. Insiste e investe como se apreciasse o castigo.

SERÁ POR MASOQUISMO OU ESTARÃO CERTOS OS TAURINOS ?

Espero que os eruditos dos sites "anti", me esclareçam.

Seja como for. Por uma ou outra razão, o certo é que a atitude do toiro leva a concluir que não sente as dores com a intensidade que os "anti" evocam. Aconselho-os, por esse motivo, a arranjarem outra bandeira. Em termos futebolisticos, outro ponta de lança para atacar as touradas. O do sofrimento do toiro está desacreditado. Basta pensar um bocadinho.

Por outro lado os "anti", servem-se da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, para agredir os "pró". Ora essa mesma Declaração, diz "O respeito pelos animais, está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante" e, no artº 4º: "toda a privação de liberdade , é contrária a esse mesmo direito".

Assim também nós, os "pró", a podemos utilizar a nosso favor. É a altura de exijirmos que os "anti" nos respeitem como pessoas, seus semelhantes, e respeitem a lliberdade, o direito, de escolhermos o que apreciamos. A não sermos incomodados `à porta das praças de toiros, por uma ou duas dúzias de ululantes "anti", insultando e provocando.

Carlos Patrício Álvares (Chaubet)

Resposta:

Os taurinos gostam do "espectáculo" e inventam "razões" para negar o abuso e a crueldade que a tourada representa para o touro e para o cavalo; que tanto indigna pessoas conscientes e solidárias; que prejudica a educação da juventude e o nível civilizacional da sociedade e que desclassifica o país e os portugueses.
Os argumentos por eles apresentados são tão falaciosos e traduzem tamanha ignorância, que seriam ridículos, se não fossem trazidos a propósito da bárbara tourada.
Pois aprenda o sr. Chaubet, que o touro se presta à luta por naturalíssimo instinto de luta, de competição e de defesa por se sentir atacado e ferido, exactamente como acontece com galos, cães (não seleccionados por "sagazes" criadores para serem bravos) em lutas organizadas por chamados humanos, acontece na natureza em todos os momentos e também naturalmente entre seres humanos que, se não forem covardes, reagem para a porrada ao apanharem uma boa estalada. Já terá conhecimento de quão perigosos são animais feridos nas abjectas caçadas africanas, que se escondem e se atiram aos incautos perseguidores apesar ou antes, por causa do enorme sofrimento que lhes foram causados anteriormente?
Segundo a lógica do sr. Chaubet os galos, após as primeiras bicadas; os cães após as primeiras dentadas; os boxeurs após os primeiros murros sofridos, deixariam a luta e fugiriam cada um para seu lado.
Convido o sr. Chaubet a estar no curro de recolha dos touros lidados, como eu estive, e testemunhar em que estado de "frescura" e de "satisfação" eles voltam da lide e com que crueza lhes são retirados as fapas "artisticamente" cravadas pelos ídolos da tauromaquia.

Vasco Reis, médico veterinário experiente e conhecedor do que afirma com base científica.



via CAPT

domingo, outubro 02, 2011

TAUROMAQUIA EM PORTUGAL

Importa debater a questão da Tauromaquia em Portugal, abordando-a com toda a objectividade e publicitar este debate, para que os portugueses compreendam bem do que se trata e formem uma opinião sobre a sua utilidade, o seu mérito ou demérito e a sua aceitação ou repúdio.
Para isso é preciso argumentar profunda, científica, ética, cultural, socialmente.

O touro é o elemento sempre massacrado da tauromaquia, desde intensa prolongada ansiedade, repetidos e dolorosos ferimentos, esgotamento anímico e físico e quase sempre a morte em longa agonia.
O cavalo, dominado e violentado pelo cavaleiro tauromáquico é o elemento obrigado a arriscar tudo e a sofrer perante o touro, desde ansiedade, ferimento físico até a morte.

Estes factos, inegáveis e indissociáveis da tauromaquia, seriam suficientes para interditar a sua existência numa sociedade culta, consciente, pacífica e compassiva.

É esta a opinião dos anti-tauromáquicos, que dispõem de imensos argumentos ditados pelo senso comum e confirmados pela ciência.

Da parte dos tauromáquicos e dos seus aficcionados colhem-se argumentos falaciosos,
não ditados pelo senso comum, não confirmados pela ciência, baseando-se na tradição, no gosto pelo “espectáculo”, em interesses económicos, omitindo praticamente (ignorado ou não) o sofrimento sempre presente destes condenados a serem “actores” à força - o touro e, no toureio montado - o cavalo.

Na verdade, plantas não têm sistema nervoso, não têm sensibilidade, não têm consciência.
Animais são seres dotados de sistema nervoso mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é perigoso e agressivo e doloroso. Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa e de fuga para poderem sobreviver. Sem essas capacidades não poderiam sobreviver.
Portanto, medo e dor são essenciais e condição de sobrevivência.
É testemunho da maior ignorância ou intenção de ludíbrio o afirmar que algum animal em qualquer situação possa não sentir medo e dor, se for ameaçado ou ferido.
A ciência revela que a constituição anatómica e a fisiologia do touro, do cavalo e do homem são extremamente semelhantes. Os ADN são quase coincidentes.
As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento.
O senso comum apreende isto e a ciência o confirma.

O especismo é uma atitude que, arrogantemente coloca o Homem numa posição de superioridade, que lhe permite dispor sobre os animais como entender.
A compaixão selectiva visa tratar bem certas espécies (em geral cães e gatos) e menos outras, quase consideradas com objectos.
Os animais não humanos são considerados menos inteligentes do que os seres humanos. Podem estar mais ou menos próximos e mais ou menos familiarizados connosco, mas eles são tanto ou mais sensíveis do que nós ao medo ao susto e à dor.
É, portanto, nosso dever ético não lhes causar sofrimento desnecessário.
"A compaixão universal é o fundamento da ética" - um belo pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.

A tauromaquia está eivada de especismo sobre o touro e sobre o cavalo.
O homem faz espectáculo e demonstração da sua "superioridade" provocando, fintando, ferindo com panóplia de ferros que cortam, cravam, atravessam, esgotam, por vezes matam o touro, em suma lhe provocam enorme e prolongado sofrimento, para gaúdio de uma assistência que se diverte com o sofrimento, a agonia e morte de um animal.
Isto é comparável aos espectáculos de circo romano, há muito considerado espectáculo bárbaro, onde escravos e cristãos eram obrigados a lutarem e matarem-se uns aos outros ou eram atirados aos leões para serem devorados.
O cavalo é dominado com ferros serrilhados castigando as gengivas bucais e por esporas cortantes no ventre.
Esta montada é posta em risco de mais ferimento e de morte pelo cavaleiro tauromáquico, que o utiliza como veículo para combater e vencer o touro.
O sofrimento do cavalo soma-se aqui ao do touro.

Na tauromaquia, touro e cavalo são excluídos de qualquer compaixão, antes pelo contrário estão completamente submetidos à violência e ao sofrimento.
E o espectáculo é legal em Portugal, publicitado e mostrado na comunicação social, aclamado, fonte de negócio.

Mas nesta “arte” não são somente touros e cavalos que sofrem.
São muitas as pessoas conscientes e compassivas, que por esta prática de violência e de crueldade se sentem extremamente preocupadas e indignadas e sofrem solidariamente e a consideram anti-educativa, fonte de enorme vergonha para o país, atentório de reputação internacional, obstáculo dissuasor do turismo de pessoas conscientes, que se negam a visitar um país onde tais práticas, que consideram "bárbaras", acontecem!

Com certeza que existem boas e inócuas alternativas para os aficcionados, para os trabalhadores tauromáquicos, para os "artistas", para os campos e para os touros e cavalos.
Será positivo para os aficcionados irem ver e até pagar bilhete para assistir ao sofrimento de animais?
Chamar arte à tauromaquia e compará-la ao ballet, ao teatro, etc é falacioso.
Afirmar comparativamente que o ballet também provoca dor é infeliz e despropositado.
O que se assiste no enredo do teatro, de uma peça de ballet é representação, sem provocação real, sem ferimento, sem morte e os actores estão ali voluntariamente.
Porque fazem sofrer os animais os chamados “artistas”? Dar-lhes-à isso algum gozo?
Será isso admirável, corajoso, heróico?
Porque não fazer o espectáculo teatralmente e com o belo aparato visual e musical, mas sem os touros e sem o sofrimento animal?
Eu seria espectador para isso.
Os campos podem ser utilizados de outro modo e continuar a serem subsidiados.
A raça pode ser mantida sem a cruel tauromaquia e continuar a ser subsidiada.
Os trabalhadores, campinos e ganadeiros podem continuar o seu trabalho.
Os forcados, cujo papel só surge depois do touro ter sido massacrado previamente, podem dedicar-se a actividades ou desportos onde valentia, luta corpo a corpo são fulcrais, como box, luta livre e outros e acrescidos de espírito de grupo, como o rugby, por exemplo.

Creiam, que eu tenho conhecimentos e experiência para escrever este texto.
Sou médico veterinário desde 1967. Estudei em Portugal e na Alemanha. Trabalhei na Suíça 7 anos, na Alemanha 10 anos, nos Açores 3 anos (na Praia da Vitória, Ilha Terceira, onde existe aficcion e onde tive de intervir obrigatoriamente no acompanhamento dos touros nas touradas, na minha qualidade de médico veterinário municipal), 22 anos em Aljezur em Portugal Continental.
Trabalhei sempre com gado bovino.
Fui cavaleiro de concurso hípico completo e detentor de 2 cavalos polivalentes. Conheço bem cavalos, a sua personalidade e as suas aptidões.
Fui entusiástico jogador de rugby durante 3 anos, o que interrompi por acidente, que me impossibilitou a continuação da prática.
Aconselho, pela sua superior qualidade, alguns vídeos extremamente informativos, muito influentes no processo que teve lugar no Parlamento da Catalunha.




Vasco Reis, médico veterinário